Chequei em casa após mais um dia de trabalho.Precisava descontrair…
Fui em direção de minha adega, escolhi um vinho da uva que sentia saudades.Cortei sua cápsula, tirei a rolha e derramei um pouco de vida em minha taça.
Um rubi intenso se fez presente me impossibilitando de olhar meus dedos do outro lado do copo, límpido, cheio de brilho, reflexos violáceos presentes, roubou-me sorrisos quando notei pequenas mais numerosas lágrimas escorrendo por toda a taça.
Arrisquei, aproximei, sutilmente toquei sua cintura, rodei minha taça, coloquei o nariz dentro do copo, senti um aroma gostoso, franco, vivaz, repleto de complexidade.Meus pensamentos viajavam, florestas, flores, frutos, groselhas surgiram, uma geléia tímida, uma especiaria fazia cócegas em meu nariz, uma sensação prazerosa, amadeirada se misturava com aromas tostados com toque de chocolate.
Sorri, já não me lembrava do trânsito pela manhã, continuei, um grande gole seco, encorpado, a lateral de minha língua sutilmente salivava, o gosto impregnava por toda minha boca, sem maltratar, taninos aveludados, resolvi ir fundo, beijei, mais um gole, um pouco de calor surgiu no céu de minha boca , segundos de persistência aromática que dificilmente irei esquecer.
Degustei…